Aula 52. EDA automatizada x EDA manual

Quando cada uma serve, EDA por grupos e EDA com dados grandes

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Objetivos da aula

  • Realizar EDA por grupos, ambiente e genótipo, com o pacote metan
  • Revisar o que a EDA automatizada resolve e o que ela não resolve
  • Lidar com sobreposição de pontos em conjuntos de dados grandes
  • Decidir quando usar EDA automatizada e quando usar EDA manual

Bloco 1

EDA por Grupos com metan

Conceito, por que agrupar antes de analisar

  • Contexto: um ensaio multiambiente avalia 10 genótipos de soja em 4 ambientes, com 3 repetições cada, totalizando 120 parcelas.

  • Calcular um resumo descritivo único, ignorando o ambiente, mistura a variação genética com a variação ambiental, e esconde justamente a informação mais relevante em um ensaio multiambiente, como o desempenho relativo de cada genótipo em cada condição.

  • O pacote metan, desenvolvido especificamente para experimentos multiambiente, fornece funções de estatística descritiva já preparadas para essa estrutura de agrupamento.

Código: estatística descritiva por grupo

ensaio_multiambiente |>
  group_by(ambiente) |>
  desc_stat(produtividade)

Output e interpretação

# A tibble: 4 × 11
  ambiente   variable     cv   max  mean median   min sd.amo    se  ci.t n.valid
  <chr>      <chr>     <dbl> <dbl> <dbl>  <dbl> <dbl>  <dbl> <dbl> <dbl>   <dbl>
1 Ambiente 1 produtiv…  7.45 3827. 3316.  3325. 2713.   247.  45.1  92.2      30
2 Ambiente 2 produtiv…  7.99 4104. 3516.  3497. 2871.   281.  51.3 105.       30
3 Ambiente 3 produtiv…  5.82 4018. 3555.  3548. 3160.   207.  37.8  77.3      30
4 Ambiente 4 produtiv…  7.16 4372. 3809.  3817. 3344.   273.  49.8 102.       30
  • A produtividade média cresce de forma consistente do Ambiente 1 ao Ambiente 4, um padrão que um resumo descritivo único, sem agrupamento, esconderia completamente. A EDA por grupo é o ponto de partida obrigatório antes de qualquer modelo de interação genótipo por ambiente.

Bloco 2

Revisitando a EDA Automatizada

O que ela resolve e o que ela não resolve

  • Pacotes de EDA automatizada, como os vistos anteriormente, resolvem bem a padronização de nomes, o resumo estatístico geral e o panorama inicial de estrutura e dados ausentes.

  • Eles não resolvem a exploração orientada pela estrutura experimental do problema, como a comparação entre ambientes, genótipos ou tratamentos, que exige agrupamento definido pelo analista, e não descoberto automaticamente pela ferramenta.

  • A EDA automatizada entrega o panorama. A EDA manual, com agrupamento correto, entrega a resposta à pergunta de pesquisa.

Bloco 3

EDA com Dados Grandes

O problema, sobreposição de pontos

  • Contexto: um sensor de campo registra temperatura e umidade do solo a cada minuto, gerando 50.000 leituras ao longo de um período de monitoramento.

  • Um gráfico de dispersão tradicional, com geom_point(), sobrepõe tantos pontos nessa quantidade de dados que a maior parte da figura se torna uma mancha densa e uniforme, escondendo a real concentração dos dados.

  • Duas estratégias resolvem esse problema, reduzir o número de pontos plotados por amostragem, ou substituir o gráfico de dispersão por uma representação de densidade em grade.

Código: amostragem e geom_hex()

leituras_sensores |>
  slice_sample(n = 2000) |>
  ggplot(aes(x = temperatura, y = umidade)) +
  geom_point(alpha = 0.4, color = cores_cafe["azul_claro"])

leituras_sensores |>
  ggplot(aes(x = temperatura, y = umidade)) +
  geom_hex(bins = 40) +
  scale_fill_gradient(low = cores_cafe["bege"], high = cores_cafe["marrom"])

Gráfico e interpretação

  • A representação em grade hexagonal revela a densidade real da relação entre as duas variáveis, algo que um gráfico de dispersão tradicional, com 50.000 pontos sobrepostos, tornaria ilegível. A amostragem por slice_sample() é uma alternativa mais simples, útil para uma inspeção rápida antes de decidir a estratégia final de visualização.

Bloco 4

Quando Cada Abordagem Serve

Tabela de decisão final

Situação Abordagem indicada
Primeiro contato com dados novos, poucas colunas EDA automatizada
Estrutura experimental com grupos, ambientes ou tratamentos EDA manual, com agrupamento definido pelo analista
Ensaio multiambiente ou multigenótipo Funções específicas, como as do pacote metan
Conjunto de dados com dezenas de milhares de observações ou mais Amostragem para inspeção rápida, geom_hex() para visualização final
Investigação dirigida pela pergunta de pesquisa EDA manual, sempre

Erro comum 1, aplicar EDA automatizada sem agrupar

  • Rodar um relatório automatizado padrão em um ensaio multiambiente, sem primeiro agrupar por ambiente e por genótipo, entrega um resumo estatisticamente correto, mas irrelevante para a estrutura real do experimento.

  • A pergunta de pesquisa deve guiar o agrupamento, a ferramenta automatizada não infere essa estrutura sozinha.

Erro comum 2, plotar milhões de pontos sem ajuste

  • Gerar um geom_point() padrão com um número muito grande de observações produz um gráfico ilegível, e também um arquivo pesado e lento de renderizar.

  • Ajustar a estratégia de visualização, com amostragem ou representação de densidade, ao volume de dados disponível deve ser uma decisão tomada antes de gerar o gráfico, não depois de constatar que ele não serve.

Resumo: EDA automatizada x EDA manual

Abordagem Vantagem Limite
EDA automatizada Rápida, padronizada, boa para primeiro contato Não considera a estrutura experimental do problema
EDA manual Dirigida pela pergunta de pesquisa Exige mais tempo e conhecimento do domínio
metan Preparado para dados multiambiente Específico para essa estrutura experimental
geom_hex, amostragem Resolve sobreposição em dados grandes Não substitui a inspeção detalhada de subconjuntos relevantes

Obrigada!

Continue praticando e explorando.

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