Estrutura antes de imputar, os três mecanismos de Little e Rubin
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Contexto: um registro de 200 aplicações de defensivo agrícola apresenta valores ausentes na variável dose aplicada, dose_ml_l.
A prática comum de substituir todo valor ausente pela média da variável assume, implicitamente, que a ausência ocorre de forma completamente aleatória.
Quando essa suposição não é verdadeira, e a ausência está relacionada a outra característica dos dados, a imputação pela média distorce a análise, em vez de corrigi-la.
Important
Atenção: o tratamento correto de dados ausentes começa pela pergunta “por que este valor está faltando?”, não pela escolha do método de imputação.
Missing Completely At Random. A probabilidade de um valor estar ausente não depende de nenhuma variável, observada ou não observada, do conjunto de dados.
Exemplo: uma falha aleatória do sensor de campo, sem relação com o produto aplicado, o talhão ou a dose real.
Sob MCAR, a exclusão simples das linhas com dados ausentes não introduz viés, apenas reduz o tamanho da amostra.
Missing At Random. A probabilidade de um valor estar ausente depende de outra variável observada no conjunto de dados, mas não do próprio valor ausente.
Exemplo: a dose de produtos biológicos é registrada com menor frequência em campo, uma prática associada ao tipo de produto, variável observada, não à dose em si.
Sob MAR, a exclusão simples pode introduzir viés, mas a imputação baseada nas variáveis observadas relacionadas à ausência é apropriada.
Missing Not At Random. A probabilidade de um valor estar ausente depende do próprio valor que está faltando, mesmo depois de considerar as demais variáveis observadas.
Exemplo: doses fora do intervalo recomendado por bula deixarem de ser registradas propositalmente pelo aplicador, por receio de repreensão.
Sob MNAR, nenhum método de imputação baseado apenas nos dados observados corrige o viés sem informação externa adicional.
# A tibble: 1 × 1
proporcao_ausente
<dbl>
1 0.17
# A tibble: 1 × 4
statistic df p.value missing.patterns
<dbl> <dbl> <dbl> <int>
1 1.38 1 0.240 2
# A tibble: 2 × 2
tipo_produto proporcao_ausente
<chr> <dbl>
1 Biológico 0.403
2 Químico 0.053
| Mecanismo identificado | Tratamento apropriado |
|---|---|
| MCAR | Exclusão simples aceitável, ou imputação simples |
| MAR | Imputação baseada nas variáveis observadas relacionadas à ausência, como o tipo de produto |
| MNAR | Nenhum método baseado apenas nos dados observados corrige completamente o viés, é necessária informação externa ou nova coleta |
Substituir todo valor ausente pela média da variável, sem verificar se a ausência está relacionada a outra variável, distorce a distribuição e pode enviesar comparações entre grupos.
No contexto deste estudo: imputar a dose ausente pela média geral ignoraria que a maior parte da ausência vem de produtos biológicos, que podem ter uma dose típica diferente da média geral.
Tratar todo dado ausente como MCAR, por padrão, sem testar essa suposição contra as variáveis observadas disponíveis, é a origem mais comum de viés silencioso em análises com dados faltantes.
A verificação direta por grupos, como demonstrado no Bloco 3, deve ser feita mesmo quando um teste formal global não indica evidência contra MCAR.
| Mecanismo | Depende de | Tratamento indicado |
|---|---|---|
| MCAR | Nada, aleatório puro | Exclusão simples aceitável |
| MAR | Variável observada | Imputação condicionada à variável observada |
| MNAR | O próprio valor ausente | Requer informação externa |
Continue praticando e explorando.
Esta aula é parte do projeto Café com R. É open source. Use, compartilhe e adapte.
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Jennifer Lopes | Café com R